domingo, 18 de dezembro de 2011

O que esperar numa sala de espera (Final)


Tudo. É isso que se pode esperar de algumas salas de espera. Dessa em especial, porque liberdade é muito mais que "uma calça velha azul e desbotada"! Liberdade é poder ser o que se é sem medo de ser julgado. E em nenhum lugar se tem mais liberdade que numa sala de espera de um psiquiatra. Nela nos sentimos normais, iguais, seja qual for a patologia. Pessoas de todas as classses, idades, atividades, raças e credos estão sendo atendidos pelos profissionais psi e se trombando nessas salas de espera. E se sentem livres, livres do preconceito de quem ainda acredita ser são numa sociedade doente como a nossa e não admite nossa fraqueza. Livres de quem nos taxa de loucos, ignorando que "só os loucos sabem". Ademais, loucos não somos; somos, no máximo, desajustados.

Como a jovem que se sentou na minha frente na quinta-feira passada. Quando ela recebia um SMS, o celular berrava: - Fiuíii- Óia a mensagem! A primeira vez não dei importância. Adispois, percebi um tlec tlec tlec persistente e desritmado. E, novamente: - Fiuíii- Óia a mensagem! E dá-lhe tlec tlec tlec...

Não contei quantas vezes, apesar de ter o hábito de contar ladrilhos, pisos cerâmicos, quantidade de ângulos, objetos que começam com a letra M, traçar retas imaginárias, calcular o cosseno e sair pela tangente. Foram, por baixo, umas 473 "Óia a mensagem" e uns 1351 tlecs, até que ela foi chamada e eu fiquei sozinho ruminando aquela situação, num estado de meditação profundo. Só saí desse transe quando ouvi: "Se eu te agarro com outro te mato, te mando algumas flores e depois escapo." Era meu celular tocando.

*'*

Lembrei de Zezé que adora um tlec tlec tlec. Deixa sempre o teclado com barulhinho e um baita aviso sonoro quando desliga. Péssimo para ocasiões em que se quer discretamente desligar o celular, depois de insistentemente terem alertado para fazê-lo há meia hora atrás. E lembrei de uma moça que trabalhou em nossa casa, ainda em São Paulo, que tinha esse toque aqui. Eu nunca atendi. Nem enfiei.

6 COMENTÁRIOS:

Marcus disse...

Valeu a espera. Gargalhando neste dia até então sem graça.
grande abraço.

Maria Muadiê disse...

Vc tem q lançar seu ebook, cronista, já te disse!!

Minha maior diversão em sala de espera é ouvir a conversa dos outros.

Tantan disse...

Chorik!!!! O que vc tá ESPERANDO??? Tem que se levantar e sair correndo pra lançar suas idéias ao mundo, ao vento...
PQP!!!vc é demaaaaaaaissss..Escreve mto e surpreende sempreeeeee!!!
Passei o domingo fora...sem ter acesso ao blog e sem conter a angústia da espera, mas valeu cd segundo sofrido!
Nunca mais em nossas vidas, a sala de espera, será a mesma!!...nem tão pouco a minha vida... Beijão, amigo!!!

Tania regina Contreiras disse...

Hahaha...ainda rindo aqui...rs Você, realmente, é muito bom de prosa (e eu continuo rindo aqui...rs). Ixeee...eu somo placas de carro, conto janelas de edifício... mas abafemos o caso, porque de perto ninguém é mesmo normal rs Uma delícia te ler, sempre.
Beijos,

Lidi disse...

Oh, Chorik, sempre bom e divertido te ler. Um grande abraço.

Marcio Silva disse...

Celso, estou sempre lendo seus posts. Muito, mas muito bacanas mesmo. Parabéns! Faço coro junto aos demais: Você escreve muito bem! Consegue prender-nos ao texto e faz-nos imaginarmos cada cena(inusitadas, em sua maioria, rsrs).