Não sei o que leva os seres humanos a exporem suas mancadas. Seja o que for, sofro desse mal. Senta que lá vem história.
Aqui em Americana e região, os caixas eletrônicos foram explodindo um a um, graças às dinamites da gangue do dinheiro rosado. Houve até quem colocasse tanto explosivo que as notas pegaram fogo. Os caixas que sobraram foram retirados, já que aquilo que em tese beneficiaria o comerciante, principalmente dos postos de gasolina e suas lojinhas de conveniência, transformou-se na perda do negócio, já que junto com os caixas eletrônicos a loja inteira ia literalmente pro espaço.
Salvo engano, sobrou apenas um posto heróico, ou maluco, a depender do que o futuro lhe reserva, na avenida Cillos. Restou aos clientes dos serviços bancários se sujeitarem ao banco, frase essa que deveria ser um erro de digitação, mas infelizmente não é. A agência em que movimento dindim tem bons caixas eletrônicos dentro de suas dependências. O duro é estacionar e, quando se consegue, levarem o carro. E o pior é ser assaltado pela gangue da saidinha de banco, da qual a gangue do dinheiro rosado é uma dissidência, uma não se metendo no negócio da outra.
Para não me submeter a tais riscos, passei a utilizar um Banco 24 horas do Welcome Center, um aglomerado de lojas que alguns americanenses chamam de shopping, que fica no caminho entre minha casa e o meu serviço. Tem dia que dá fila, tem dia que não dá fila porque não tem dinheiro.
Semana passada fui sacar uma graninha. Não sei quanto a você, cara-pálida, mas eu gosto de demonstrar que sou rápido e tento realizar a operação no menor tempo possível. Vai me dizer que nunca pegou sujeito apanhando para operar? Um tal de bota cartão, tira cartão, coloca cartão de novo, erra senha, reinicia, aperta tecla errada. Quando você vê, já se passaram preciosos minutos e se finalmente a máquina cospe alguma coisa não é o dinheiro, é o extrato do cidadão, imprescindível para não sacar além do que existe de fundo. E aí bota cartão, tira cartão, coloca o cartão de novo, erra senha, reinicia, aperta tecla errada. Então, eu sou infantilóide, eu gosto de mostrar como sou rápido. É pá e pum, lá vem o dinheiro.
Pois essa falta de humildade e excesso de vaidade me deu o troco, merecidamente. Sim, o título denuncia, mas eu nem queria fazer suspense mesmo, tá? Fiquei um tempão tentando fazer o trem soltar a bufunfa com meu dedo serelepe escorregando e apertando os números na tela. Uma senhorinha me avisa, lá de trás da fila que se formou, quase escondida atrás de uma patricinha:
- Moço, é para usar esses botões que estão em cada lado da tela.
Eu, do alto do salto alto, exclamei enquanto retirava o dindim:
- Nossa, é mesmo! Fiquei tão viciado em usar iPad, iPhone, que esqueci que nem tudo é touch!
A senhorinha deu um sorriso, mas a patricinha me olhou com uma cara de nojo, que eu vi.
Cena de Minority Report


5 COMENTÁRIOS:
Eu sou totalmente touch! rsrsrs
Celso, como você escreve bem! É um ótimo cronista. Parabéns!
Concordo com a Kátia. Você escreve bem demais. Continue nos contando sobre as suas aventuras. Abraços.
Lucia, sua afirmativa tem consequências sérias! rs
Kátia e Lidi, obrigado pela generosidade!
Também sou assim e me ferrei na auto estima quando outro dia estava distraído e não entendi bem o que a moça do caixa pedia, até que ela, impaciente, disse: _ o senhor nunca usou cartão não? E lembrei deste seu post hoje quando alguém se desculpou comigo por uma ligação involuntária: - desculpe, bati errado...
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