quinta-feira, 15 de dezembro de 2011
Dize-me o que guardas e eu te direi quem és
Dalva, uma amiga do facebook, postou lá uma crônica muito engraçada de Mário Prata. Conta sobre uma desastrada queda de um criado que, mesmo mudo, revelou mais do que devia. Acesse esse link para lê-la. Fez-me lembrar de outra crônica, de outro mestre, o Luis Fernando Veríssimo, que desvenda a evolução de uma pessoa pelo que ela carrega no seu bolso em diferentes fases da vida.
Adveio então uma perguntinha no meu danificado cérebro: será que o famoso ditado poderia ser modificado? Dize-me o que guardas e eu te direi quem és!
Tenho minhas dúvidas. Para tirá-las, nada melhor que começar verificando o que eu guardo no bolso e no criado-mudo.
No bolso
Rigorosamente nada. Odeio carregar chaves, carteira, celular, pen-drives de 16 gb ou dinheiro no bolso. Mas a ausência de coisas também pode explicar alguma coisa da personalidade. No caso, indicaria um sujeito fresco, irritadiço e maniático. Check!
No criado-mudo
Aqui se entra em terreno perigoso. Afinal, o criado-mudo fica ao lado da cama, e nela, via de regra, vivencia-se momentos que todos sabem que ocorrem, mas nem por isso ficam alardeando.
Antes de contar o que há no meu criado-mudo, há que se considerar algo muito estranho: como pode caber tanta coisa numa gaveta?
Desconfio que haja um compartimento virtual multidimensional na gaveta. Ou algo parecido com o armário dos Homens de Preto. Ou com o armário que vai dar em Nárnia! Uma gaveta portal.
Racionalizando um pouco, o fato de uma gaveta comportar tanta coisa se deve ao tamanho dos objetos que esquecemos, ops, guardamos nela. Os cacarecos, ops, os pertences miúdos, aqueles principalmente que não queremos perder, nem jogar fora, não sabemos exatamente quando ou SE vamos usar um dia, estão todos ali misturados à aliança que não cabe mais no dedo, a bombinha de asma e um parafuso que se soltou não se sabe de onde, mas um dia se descobre, vai saber, é melhor deixar na gaveta.
Vamos à minha gaveta!
Dois livros de poesia, um de Martha Galrão e outro de Nilson Galvão. Uma edição de bolso do Evangelho Segundo o Espiritismo, cinco frascos de fórmulas homeopáticas não-vencidas, lenços de papel, um tirador de cera de ouvido comprado na feirinha da Liberdade, um Ipaq para jogar paciência, carregador de bateria do Ipaq, um caderno, uma caneta e uma revista Recreativa de palavras cruzadas.
Ah sim, já ia esquecendo da aliança que não cabe mais no dedo, uma bombinha de asma e um parafuso que se soltou não sei de onde mas um dia hei de descobrir.
Como se vê, tudo o que um homem precisa para dormir bem.
Embora se confirme em mim, ainda tenho minhas dúvidas sobre o "Dize-me o que guardas e eu te direi quem és" e vou tirá-las com o criado-mudo de Zezé. Mas isso é para um outro dia.
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Acho que eu reconheci esse pendrive de 16GB... Deve estar no bolso ou no criado-mudo de alguém... rsrrsrs
ResponderExcluirMais uma vez: Ah! Como eu gosto de tudo o que vc escreve! ;)
Beijos
10 pra seus escritos, amigo!
ResponderExcluirNa próxima vez em que estiver com insônia, lembre-se dessa frase: "Como se vê, tudo o que um homem precisa para dormir bem." rsrsrs
ResponderExcluirAdorei...
ResponderExcluirMuito bom o texto...
Beijos
Muito boa conexão com os mestres Mário Prata e Luiz F V!! SAudades de seus textos.
ResponderExcluirCelso, que emoção sincera saber que o livro dorme ao seu lado.
ResponderExcluirMenino, fiquei tentando fazer uma síntese de você a partir dessa gaveta, mas nem ousei continuar, porque a minha consciência me apontou a minha bolsa. Bolsa de mulher não é tudo igual, porque mulher não é tudo igual. Nem ouso contar o que há na minha. Mas o seu texto, como sempre, é delicioso de ler!
ResponderExcluirBeijos,
muito bom ... sabe, criado mudo tem q ser mudo mesmo, pois se falasse ... parece q seu portal secreto tem passagem p meu criado! bombinhas de asma são duas! caso uma acabe, sei q irei sobreviver na calada da noite. Parafusos ... vixi ... enm sei quantos, pois resolvi colocá-los numa embalagem vazia de Cebion , Evangelho de preces espíritas, indispensável ... sem falar nos comprimidos vencidos, saches, óculos substituidos, ou seja, tudo q é de melhor nas nossas vidas ... nos bolsos? nem bolso gosto de usar! será q isso tb diz algo a respeito da minha personalidade??? Desbolsada? kkkk adorei amigo! muito legal! Bem vindo de volta às letras!!!!!!!
ResponderExcluirQuerido, amigo...você e suas deliciosas supresas...
ResponderExcluirNo meu criado mudo só há coisas especiais...bilhetinhos,ingressos, chaveiros, cartões, fotos...recordações de momentos marcantes...seu texto vai para lá!!!Bjs!
Agradeço a vocês os comentários tão generosos. Escrever me faz bem, é uma terapia, ainda que nem sempre crie textos interessantes. Saber que vocês lêem e gostam é a alegria que preciso para seguir em frente.
ResponderExcluirAbraços e beijos mil.
Luli, é sério que a Alê tem um de 16 GB só com aquelas músicas? rs
ResponderExcluirMarília, não sabia que você era de RH! Obrigado.
Lucia, o pior é que tenho tudo o que eu preciso e não durmo!
Roberta, obrigado pela visita, mamãe!
Thiago, conexão meio pretensiosa, não achou?
Martha, não canso de lê-lo. É uma forma de conversar com a poeta.
Tânia, que bom que você gostou. Você, que é tão apaixonada por poesia, gostar da minha prosa, é muito significativo pra mim.
Frase do JQ, rs, não sei ainda teu nome, mas agradeço a visita e é bom saber que temos tanto em comum!
Tânia, valeu amiga! Nem sei o que dizer sobre você, que tem sido tão gentil e amável para com minhas doideiras.
Chorik, vou ser repetitiva: você é uma figura! Adoro teus posts. Bjs
ResponderExcluirChorik, eu também adoro uma boa prosa, e vc proseia é muitíssimo bem...
ResponderExcluirBeijos,
Feliz de saber que ando em ótimas companhias, com Martha, Kardec e tudo o mais. E, claro, tão acessível assim a um leitor como você, que pensa e vive e escreve como você. Desse criado-mudo, se depender de mim, eu não mudo!
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